quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Três Mundos em um só Planeta

Resenha do documentário “O mundo global visto do lado de cá”
                                                   Encontro com Milton Santos

Fonte: http://filosofarliberta.blogspot.com/

O documentário “O mundo global visto do lado de cá”, foi produzido pelo diretor Silvio Tender. Trata-se de um bate papo com Milton Santos com o intuito de problematizar a globalização em seus diversos contextos, para tentar ver no passado e principalmente no presente, o que se projeta para o futuro.
Milton Santos foi um intelectual que defendeu a coragem de pensar até o último dia de sua vida. Nasceu em 1926, na Bahia onde formou-se em Direito na Universidade Federal da Bahia, foi professor de Filosofia e durante  o golpe militar foi preso e exilado,  posteriormente fez doutorado  em Geografia na França.É autor de livros marcantes com reconhecimento do Prêmio Vautrim Lud, considerado o  Nobel da Geografia, sempre lutou pelas suas idéias de transformação no âmbito global e assumiu os riscos de ser um pensador crítico. Morreu vítima de um Câncer em 2001.

Fonte: www.jy-martin.fr/EX/website.hebergement.lycos.fr/www.jy-martin.fr/article65ba.html?id_article=205

Globalização é o processo de mundialização das informações, das tecnologias, trabalho e giro contínuo do capital.
Esse processo acentuou-se no século XX, conhecido como “Século das Revoluções”, que foi uma explosão do investimento econômico de vários países no setor da saúde, tecnologia e invenções do sistema capitalista que vivemos até os dias atuais, onde a única preocupação é a crise financeira. Exemplos claros dessa preocupação limitada são: a fome, a luta desumana   pelo gás e petróleo, o desemprego, a falta de ética e moral na organização dos territórios, o desabrigo e a desigualdade social, que são temas intocados no momento em que o Humanismo foi substituído pelo consumismo.
Existem três dimensões da globalização: globalização como fábula, como perversidade e como possibilidade de ser outra.
A principal característica da globalização como fábula é a ideologia mascarada pela intenção de compartilhar os meios de comunicação, avanços medicinais e produtos que proporcionam o “puro prazer humano”, como se todos tivessem acesso aos benefícios da globalização, sem explicitar que, para suprir a necessidade tecnológica, ignora-se a sociologia e a preocupação com os Direitos Humanos.
A globalização como perversidade é tal como ela é: o estímulo à competitividade, ao egoísmo e status. Utilizando a Ciência a favor dos lucros a partir de suas descobertas, formando desta forma uma sociedade doente, que alimenta “...uma filosofia de vida que privilegia os meios materiais e se despreocupa com os aspectos finalistas da existência e entroniza o egoísmo como lei superior, porque é instrumento da buscada ascensão social. Em lugar do cidadão formou-se um consumidor, que aceita ser chamado de usuário”  (Santos, 2000, p.13)
Fontes: www.x-flog.com.br/pedrosantosmagalhaes/543975

O meio de transformação das duas citadas acima é a globalização como possibilidade de ser outra... Mas, como pode ser essa outra dimensão global? Inicia-se com a exclusão do pensamento “não é possível”, pois temos que continuar lutando por uma vida mais digna, onde todos tenham direito ao saneamento básico e a educação, por um mundo onde a distribuição de renda, bens e serviços seja pública e assegurada, pois:

O simples nascer investe o indivíduo de uma soma inalienável de direitos, apenas pelo fato de ingressar na sociedade humana. Viver, tornar-se um ser no mundo, é assumir, com os demais, uma herança moral, que faz de cada qual um portador de prerrogativas sociais. Direito a um teto, à comida, à educação, à saúde, à proteção contra o frio, à chuva, às intempéries; direito ao trabalho,à justiça, à liberdade e a uma existência digna. (Santos, 2000, p.7)       

A cultura e o conhecimento são meios de transformação, possibilidades da expressão dos excluídos, da voz popular. E a esperança é a concepção de futuro que destrói os fantasmas da guerra e impulsiona os sonhos.


Autoria: Natália Cristina Guarany

Um comentário:

  1. Milton Santos escreveu a mais pura das verdades e morreu sem ver este país evoluir. Pior ainda, vivemos em um país onde uns engolem os outros, onde se torna ridículo o que é honesto, onde são considerados trouxas os que são éticos. É só pela educação que isso tudo pode mudar. Mas o governo dá migalhas aos mais pobres e assim continuam no poder e indiretamente compram os votos para elegerem-se. O povo precisa acordar.
    A Natália fez a leitura correta de Milton Santos. Precisamos de muitas Natálias para mudar o mundo ou pelo menos o Brasil.

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