terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pluralidade... Diversidade!

Falando de pluralidade cultural, da existência de diversas culturas em nossa São Paulo, podemos citar também as diversidades culturais, ou seja, as diferenças entre estas culturas e entres nós humanos, mesmo que pertencentes de uma mesma cultura. Citando as diversidades culturais podemos pensar em diferentes metodologias de ensino, que saiam um pouco do que é visto hoje em dia, ou seja, giz, lousa, saliva e livros paradidáticos. Para ser um pouco mais clara, estou colocando em pauta a importância de se trabalhar outros gêneros com as crianças “alfabetizandas”, como a literatura de cordel e as histórias em quadrinho.
 “o nosso pensamento se origina e se forma no processo de interação e luta com pensamentos alheios, o qual não pode deixar de refletir-se na forma da expressão verbal do nosso” (Bakthin 2000, p. 282)
Necessitamos do contato com o outro, como Bakthin já diz, precisamos interagir com diversos pensamentos. Isso para a criança, quer dizer o quanto é importante ter acesso as diferentes formas de linguagem expressiva para que não acabemos podando nenhum tipo de expressão que elas possam desenvolver.
Colocando em prática esta ação, podemos falar um pouco mais sobre a Literatura de Cordel, esta tem forma de uma poesia impressa, produzida e consumida predominantemente em alguns estados da região Nordeste. Suas principais temáticas são: religião, cotidiano, acontecimentos políticos, dentre outros e tem uma forte presença da oralidade. Um Cordelista muito conhecido, principalmente pelo contato direto com a Metodista é o Moreira de Acopiara.
            Uma sugestão para o trabalho com as crianças através da Literatura de Cordel é que a professora pode ambientar a sala com cordéis e características nordestinas, escolher um cordel para ler para a sala assim que todos entrarem, logo no início da aula, para servir de inspiração, em seguida após uma apresentação de toda a estrutura deste, pedir que elaborem um Cordel em grupo com o tema a critério deles.

A literatura de Cordel pode ser utilizada na alfabetização como recurso enriquecedor do repertório cultural da criança, pois envolve imagens (capa), rimas, canções, escrita, criatividade e permite a espontaneidade no processo de criação, enriquecendo a noção estética e gramatical da criança.
É muito interessante confeccionar um Cordel, utilizando a xilogravura e a forma poética com algum tema que lhes interesse, para sentirem-se autores e internalizarem a essência do Cordel.relevante que a criança aproprie-se dessa cultura popular experimentando.


Moreira de Acopiara
Um Cordel sobre CORDEL
“EU resolvi escrever
Um cordel sobre CORDEL
Porque o cordel tem sido
Meu companheiro fiel,
E pra tirar do leitor
Alguma dúvida cruel.

O cordel em minha vida
Esteve sempre presente
E tenho certeza que
Na vida de muita gente
Até hoje ele tem sido
Um companheiro excelente.

É que nasci no sertão
Onde havia pouca escola.
Por lá os divertimentos
Eram: um joguinho de bola,
Forrós, vaquejadas e
Versos ao som da viola.

Mas o povo era sensível,
E apesar de ser pacato,
De ter pouca informação
E de residir no mato,
A leitura de folhetos
Foi sempre o grande barato.

Era comum na fazenda
A gente se reunir
Ao redor de uma fogueira
Pouco antes de dormir
Para ler versos rimados,
Cantar e se divertir.

O Pavão Misterioso,
Coco Verde e Melancia
E o de Pedro Malazarte
A gente com gosto lia.
E se emocionava
Com cada autor que surgia...”


                Não deixem de ler o final deste cordel e conhecer um pouco mais sobre o Moreira de Acopiara, para isso, basta acessar : http://www.moreiradeacopiara.hpg.com.br/poesia/poesias/resenha_ai_que_saudade.htm
             As HQ’s surgiram inicialmente em 1895 nos Estados Unidos com o Menino Amarelo (Yellow Kid) criado por Richard Outcat e no Brasil o pioneiro foi o Angelo Agostini.
Para trabalhar com as histórias em quadrinhos, não necessariamente precisamos apenas da leitura de HQ´s da Mônica ou do Pato Donald, hoje em dia nosso repertório de histórias em quadrinhos é muito amplo, e temos desde histórias infantis até assuntos jornalísticos ou contando um pouco sobre a história do nosso Brasil, em quadrinhos, comics, fumetti, bandas desenhadas, que são os diferentes nomes dados ao HQ.






            
                 
                   Uma sugestão para trabalhar com as crianças que já estão alfabetizadas é oferecer quadrinhos com os desenhos e balões em branco para que elas entendam o contexto e criem a história, podemos ver coesão, coerência e pontuação neste caso. Se as crianças estiverem sendo alfabetizadas, podemos oferecer a seqüência dos desenhos faltando uma, para que eles desenhem, e também oferecendo os textos para que eles organizem e coloquem nos devidos balões. Ressaltar a diferença dos balões, quando o personagem fala, grita, pensa, dentre outros.
 

http://www.divertudo.com.br/quadrinhos/baloes.gif


O essencial é mostrar à criança, que aprender a ler e escrever podem ser um prazer e a possibilidade de descobrirem curiosidades de tudo aquilo que as atrai, desenvolvendo a capacidade de relacionar imagem, texto e interpretação.








Autoria: Fernanda Cristina Costenaro Marchesoni
  Natália Cristina Guarany                              

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